Brado pela liberdade
Amor e
sexo, único prazer
Dos
andrajosos africanos
Que do
sexo se afronham
Na fome
do pão e da água que sabem
Sempre a
nada porque, aliás, nem existem
Entretanto, sexo, o mais veloz veículo
Rumo ao
insaciável hlanguene
Porque
em cada aurora dos dias africanos,
Há
alguém assassinado pelo killer universal
Dos
tempos que correm em que
Humanos
bebem sexo às canecas,
Sorvem-no em grandes goles
Porque
único mata-fome dos sem pão
Em
silabas poetadas,
Em
grandes mudos gritos
Quero
clamar nhandayeyo
Pela
liberdade do meu povo
Que
vagarosamente afoga
Na
seropositiva África
E,
afinal, quando meus africanos ficarão seronegativos?
Sida, em
cada aurora,
Em cada
anoitecer,
Vidas
arrancas
Em
resposta ao suicídio a que nos atiramos
Prazerosamente em imitação aos actos
Dos
bíblicos Adão e Eva.
Sida,
alvo de infinitas dízimas de perguntas:
Quem tu
és?
Onde
vais?
Quem, da
tua gruta, te extraiu?
E por
que barbaramente me arrancas o meu povo
Do
orgasmo da vida?
Tu és
jóia apenas dos concorrentes
Ao
perpétuo descanso
Na
derradeira eterna noite
Que, sem
direito, oblatas
Sida, o
xituculumucumba da África e do mundo,
Livra
meu povo e segue ao m’peladambo
Meu povo
fraternalmente irmanado anui
Sim!
Avança galopante ao poente
Porque
eterno inimigo
Continuarás pela sempiternidade
A noite
é já over
O meu
povo livre de ti,
Colocará
no fogo atroz as mágoas
Que
durante incalculáveis dias acumulaste
E os
rios de sonhos cor-de-rosa que sempre inibiste
Subirão
alto pelo progresso
Com
minha voz atada à do meu povo
E
silenciada pelo silencio dos versos
Clamo
mudamente na inconsciente mudez destes versos
Nhandayeyo! Nhandayeyoou!
O
xituculumucumba da África!