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UMA GAIVOTA VOAVA... VOAVA

Ontem apenas
fomos a voz sufocada
dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei
mastigando desespero.

Ontem apenas
fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam
esta terra, hoje nossa.

Uma gaivota voava, voava,
assas de vento,
coração de mar.
Como ela, somos livres,
somos livres de voar.

Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho
num campo qualquer.
Como ela somos livres,
somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia
"Quando for grande
não vou combater".
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.

Somos um povo 

que cerra fileiras,
parte à conquista
do pão e da paz.
Somos livres, somos livres,
não voltaremos atrás.

 

Música da Revolução

E nesta revolução síngular, onde cravos foram símbolo e a música o código para uma nova era, Portugal cantou nas praças, nas ruas, nos campos que: "O povo é quem mais ordena, dentro de ti ó cidade..."

 


.Gestor:

Vaz Nunes (correio) - Ovar

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