Destaque PÚBLICO - TPC - 21 de Novembro de 2004
1. As Crianças Levam Demasiados Trabalhos para Casa?
2. - Os Estudantes de 15 Anos dos Países da OCDE Passam em Média 4,6 Horas por Semana a Fazer Trabalhos de Casa
5.
E
SE OS TPC FOSSEM FEITOS NA ESCOLA?
As
Crianças Levam Demasiados Trabalhos para Casa?
Por ISABEL
LEIRIA
Domingo, 21 de
Novembro de 2004
"Ainda no fim-de-semana passado, a minha pequerrucha teve de fazer uma ficha e escrever três vezes a tabuada do 1 ao 10. Encheu uma folha A4 de um lado e do outro. No sábado, já muito cansada, pôs o lápis de lado e disse-me: "Ai, já não consigo fazer mais." Com autorização da mãe, a conclusão dos "TPC" ficou para domingo. Só que depois apareceram os primos e nem Raquel, 8 anos, se concentrava na tabuada, nem podia ir brincar.
"Todos os dias traz trabalhos para fazer em casa. E ao fim-de-semana muito mais", queixa-se Júlia Pereira, mãe de Raquel. Não é a única. "Uma colega minha tem uma netinha que entrou este ano para a 1ª classe e é a mesma coisa. Diz que a neta aparece com três e quatro fichas para fazer, que chora e diz que não percebe os exercícios."
As queixas de pais sobre a carga de exercícios que os filhos trazem para fazer em casa não são novas, mas voltam a estar na ordem do dia. Com o início de mais um ano lectivo e um repto, no mínimo original, feito por dois professores universitários: uma "greve aos trabalhos de casa", no dia [ontem] em que se comemoraram 15 anos da aprovação, nas Nações Unidas, da Convenção sobre os Direitos das Crianças.
Foi uma "forma divertida e provocatória de chamar a atenção para o volume de trabalho, às vezes absurdo, que as crianças têm": "Com as aulas, as actividades complementares, os trabalhos de casa e as explicações, as crianças chegam a dedicar 40 a 50 horas por semana ao estudo", explica Eduardo Sá, professor universitário e psicólogo.
Num texto conjunto divulgado esta semana, Eduardo Sá e Mário Cordeiro, pediatra e especialista em Saúde Publica, explicam as várias razões que os levam a considerar os trabalhos de casa, "tal como são entendidos por muitos professores e pais, uma agressão às crianças e aos seus direitos". "Tudo o que se sabe sobre desenvolvimento infantil e sobre técnicas pedagógicas no ensino-aprendizagem mostra que esta prática não tem, em pleno século XXI, razão para existir nos moldes em que é feita".
Trabalho errado,
na hora errada
A opinião não será consensual, mas as vozes críticas são de facto muitas. Júlia Pinheiro diz que o problema não está em trazer "qualquer coisinha" para fazer. Mas quando é "demasiado ela não aprende". É que, para apressar a tarefa, Raquel optou por fazer a tabuada às colunas. Primeiro escreveu todos os dois, depois todos os sinais de vezes...
O horário de trabalho dos pais também não ajuda. Raquel termina as aulas às 16h00, chega normalmente a casa às 18h00, o jantar está marcado para as 20h00. "Vê-se aflita para os trabalhos os deveres naquelas duas horas."
"Não temos nada contra os professores - achamos que são um bem de primeiríssima necessidade. Temos contra aqueles que empanturram as crianças com trabalhos. E contra os pais que repreendem os professores quando estes não dão imensos trabalhos de casa", começa por salvaguardar Eduardo Sá.
A segunda ressalva que estes dois professores universitários fazem tem a ver com o facto de não se oporem a todo o tipo de TPC. Até porque, esclarece Eduardo Sá, se os filhos levarem "um ou outro" exercício para fazer em casa, é uma forma de os pais estarem em contacto com a escola.
"Vinte, trinta minutos por dia, no máximo, não faz mal. Mas se o trabalho for muito, realizado num ambiente de 'stress', em que os pais chegam a casa cansados, os miúdos ainda têm de tomar banho e os trabalhos são feitos à hora do jantar, qual é o ganho acrescido?"
"Os pais enervam-se, as crianças berram e choram e acabam por ser os pais a fazer os trabalhos, numa tarefa que não é de cooperação", descreve Mário Cordeiro. O pediatra lembra ainda que ao final do dia, a hora em que normalmente os trabalhos são feitos, as crianças "não estão nem física nem intelectualmente viradas para o estudo".
Aprender com outras
experiências
Em vez de "fazerem o trabalho errado, na hora errada", este professor universitário propõe que seja dada a possibilidade às crianças de simplesmente estarem com os pais ou brincarem no seu quarto. "O cérebro das crianças vai metabolizar melhor as matérias se, no dia anterior, as crianças tiverem tido um final de dia tranquilo, um entardecer de bem-estar."
Para o fim-de-semana, sugere-se outra maneira de aprender, em que se aproveitem as "experiências, integradas na vida familiar e com a cumplicidade dos pais".
Os especialistas não entendem, aliás, como é que, com tudo o que já se sabe sobre o desenvolvimento infantil, dos afectos, da neurobiologia, as escolas continuem a passar trabalhos de casa "iguais aos que eram feitos há 40 anos". "É já sabido que o velho sistema de repetição árida não induz a aprendizagem e o sucesso académico e humano. Pelo contrário."
Por tudo isto e porque, assegura o pediatra, existem estudos que mostram que a realização de TPC não faz dos miúdos melhores alunos na escola, a questão não se resolve com a redução de "10 para oito exercícios", mas por "adoptar algo completamente diferente". "Parece que os adultos têm inveja das crianças e das brincadeiras que elas devem fazer", lamenta Mário Cordeiro.
-
Os Estudantes de 15 Anos dos Países da OCDE Passam em Média 4,6 Horas por
Semana a Fazer Trabalhos de Casa
Domingo, 21 de
Novembro de 2004
- Em Portugal, a média é de 5 horas por seman
- Os alunos gregos são os que dedicam mais tempo: cerca de sete horas por semana. Os japoneses estão no extremo oposto, com apenas 2,9 horas
- Os alunos portugueses são dos que mais recorrem a apoios, tanto dentro como fora das escolas, para colmatar deficiências na aprendizagem. Por exemplo, 14 por cento afirmam ter explicações particulares, quase o dobro da média (oito por cento) da OCDE. Apenas na Polónia e na Irlanda o valor é igual ou superior (15 e 14 por cento, respectivamente). Se se alargar o âmbito da pergunta aos últimos três anos, os dados mostram que quase metade dos alunos portugueses dizem ter frequentado, ocasional ou regularmente, formações exteriores à escola (cursos de recuperação ou explicações particulares).
A média é de 34 por cento.
Fonte Education at a Glance 2002 (OCDE)
Com
"Conta, Peso e Medida"
Domingo, 21
de Novembro de 2004
Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Federações de Associações Pais (Confap), associou-se ao repto lançado por Eduardo Sá e Mário Cordeiro e, ontem, as suas duas filhas gémeas, alunas do 7º ano, tiveram autorização para não fazer trabalhos de casa ou, como lhe chamam por vezes, a "tortura para crianças [TPC]". "Como pai, entendo que este momento deve servir para reflectirmos sobre o envolvimento das famílias com o trabalho escolar dos filhos." Albino Almeida acha que, com os horários de trabalho actuais, é "impossível às famílias acompanharem os alunos em casa" nos moldes em que os professores estão a pedir e que a "escola não pode estar a invadir desta maneira o espaço dos miúdos para brincar e serem crianças". A situação, aponta, é particularmente grave no 3º ciclo (7º ao 9º ano), em que às catorze disciplinas obrigatórias se junta uma carga excessiva de exercícios para fazer em casa. "Muitos pais dizem-me que os professores estão a pedir aos alunos para fazerem em casa os livros de fichas, o que implica hora e meia, duas horas de trabalho. E fazem-no porque só assim conseguem compensar o atraso no início do ano lectivo. Isto é inaceitável e estamos a pedir às associações de pais que levem esta questão aos conselhos pedagógicos." Para o presidente da Confap, as famílias não devem substituir os professores e é isso que está a acontecer. "Devem acompanhar a actividade curricular e envolver-se em algumas tarefas. As actividades de consolidação, enriquecimento curricular e exercícios devem ser feitos na escola. Defendemos inclusivamente que os estabelecimentos de ensino possam contratar professores para ajudar nestes trabalhos." Albino Almeida diz ainda que, apesar de a questão dos TPC não ser pacífica entre os pais, a maioria defende que os alunos tragam trabalhos para fazer em casa. Mas com "conta, peso e medida e não na extensão e desfasamento face à realidade da família, como são pedidos".
A Confap considera ainda inaceitável que os TPC contem para avaliação. I.L.
"Uma
Hora por Dia É Justo"
Domingo, 21
de Novembro de 2004
Professores tentam compensar tempo perdido nas aulas, pais não têm disponibilidade. E as crianças ficam reféns destas limitações
Bárbara Wong
Não há dúvidas, a maioria dos professores passa muitos trabalhos para casa (TPC). Porquê? Porque os programas são extensos, a matéria é muita, o tempo pouco - e há ainda a indisciplina dentro da sala de aula. Consequência: os estudantes têm de exercitar, estudar, consolidar o conhecimento, mas em casa.
"Dez minutos, é quanto demora fazer um TPC da minha disciplina", declaram Susana, professora de Português, numa escola de 2º e 3º ciclo de Lisboa, e Gisela, professora de Matemática noutro estabelecimento de ensino do mesmo nível, na cidade.
Se os alunos levarem mais tempo, então algo está a correr mal, diz Susana. É porque eles não compreendem ou porque a professora mandou mais do que devia. "Eles têm de ter tempo para brincar, ver televisão, estar de barriga para o ar...", defende.
Embora pense assim, Susana admite que muitos colegas não seguem a mesma cartilha. Gisela concorda: há colegas de Matemática que mandam três e quatro fichas. "Os professores passam mais TPC porque o tempo útil de aula é menor, devido à indisciplina. O que não se faz na aula, descarrega-se para casa", diz Susana.
A professora de Português recorda que, no início do ano, numa turma, os alunos queixaram-se porque, ao contrário da professora do ano anterior, Susana passa poucos trabalhos.
Os alunos devem fazer TPC, mas curtos, corrobora Gisela. "Se eles só praticarem na aula não é suficiente porque o programa é extenso. Além disso, se não treinarem um bocadinho, esquecem. Os TPC são muito importantes, mesmo para se preparem para os testes", refere.
As professoras contabilizam: com os novos currículos, os alunos têm cerca de três disciplinas diárias. Se o responsável por cada uma delas enviar dez minutos de trabalhos de casa, os estudantes estão, no máximo, uma hora a fazê-los. "Uma hora por dia é justo", considera Gisela. O problema é que os professores não se coordenam entre si e, muitas vezes, os estudantes levam exercícios em excesso, aponta Mário, professor de História numa secundária da capital. Além dos TPC, há ainda os trabalhos de grupo, onde há sempre um aluno mais sacrificado que vai ter de passar o trabalho no computador, aduz Gisela.
Mário tenta que os estudantes realizem os exercícios na sala de aula, mas já tem mandado trabalhos para casa, confessa. Afinal, só há História uma vez por semana e convém que os estudantes não se esqueçam de rever a matéria, justifica.
Pais desinteressados
Na escola, o professor de História também participa num projecto de tutoria onde observa que há alunos que têm demasiados TPC para fazer. Fora da escola, Gisela dá explicações a alunos do secundário e depara-se com imensos trabalhos. "Os que vêm de colégios e escolas mais exigentes trazem fichas e fichas para fazerem. Isso não é mau, desde que o professor indique quais são os exercícios prioritários. É preferível terem a mais, mas a verdade é que eles se vêem atrapalhados com tanto para fazer", analisa.
No programa de tutoria, Mário depara-se com alunos que não sabem estudar. No dia-a-dia, Gisela confronta-se com estudantes que nunca fazem os trabalhos.
A culpa é dos pais, dizem os docentes. "O problema do insucesso é a indiferença dos pais", declara Mário. Os encarregados de educação deixaram de ter tempo. Antigamente, mesmo iletrados, os pais tinham a preocupação de se sentar ao pé dos filhos e estar com eles, opina o professor de História.
Enquanto directora de turma, Gisela recomenda aos pais que acompanhem os filhos. "Mesmo que não percebam, sentem-se ao pé deles, vão ao caderno, perguntem se têm trabalhos de casa", aconselha. Muitas vezes, pais e filhos passam pouco tempo juntos, lamenta a professora.
Enquanto mãe, Susana tem a má experiência do excesso de TPC. O filho está no 3º ano e leva, às vezes, mais de duas horas de trabalhos. "É muito pesado e ele queixa-se de não ter tempo para brincar", lamenta. E para os pais, sobretudo os que se interessam, a hora dos TPC acaba por ser um stress. "Os pais não têm disponibilidade para estar duas horas a fazer trabalhos com um filho. Imagine se têm mais crianças na escola?"
E
SE OS TPC FOSSEM FEITOS NA ESCOLA?
Domingo, 21
de Novembro de 2004
Há quem esteja contra, quem goste do modelo actual, quem assuma posições mais radicais. O PÚBLICO foi ouvir pais e alunos de várias escolas de Lisboa e registou uma ideia cada vez mais generalizada: por que não fazer os trabalhos para casa na escola, com apoio pedagógico? Por Andreia Oliveira
"Eu acho que os trabalhos de casa fazem falta às crianças", diz Paula Almeida, mãe do Tiago, de sete anos, que frequenta o 2º ano no Externato Passos Manuel. Bruna, oito anos, frequenta o 1º ano na Escola do Largo do Leão, em Lisboa. O pai, Paulo Coimbra, diz que só tem noção dos trabalhos que ela leva para casa aos fins-de-semana: "Nos outros dias, a Bruna faz os trabalhos no ATL da escola. Pelo que vejo, no fim-de-semana, são um bocado puxados, mas não estou contra."
Estas são algumas das opiniões que o PÚBLICO apurou junto de pais e alunos, em três escolas de Lisboa, que lidam diariamente com os trabalhos para casa, vulgarmente conhecidos por "TPC". E se entre os primeiros as opiniões divergem, entre os alunos há uma maior unanimidade. "Os trabalhos de casa são muitos, especialmente a Português... é quase todos os dias", desabafa Catarina, de 17 anos, que anda no 12º ano do Liceu Camões.
As opiniões dos pais e alunos dividem-se quanto à necessidade de levarem trabalhos para fazer em casa. Para Manuel Brasão, os trabalhos que o filho Vasco, de seis anos, leva para casa "são os adequados para a idade" e na sua opinião "este é um bom hábito para as crianças, pois assim habituam-se a cumprir obrigações". "Ele chega a casa e a primeira preocupação que tem é fazer os trabalhos e só depois brincar. Portanto, é uma forma de lhes incutir uma certa obrigação e rotina de trabalho, desde pequeninos."
Já Isabel Neto, mãe dos gémeos Catarina e Bernardo, de nove anos, que frequentam o 4º ano na Escola do Largo do Leão, considera que "é mais vantajoso para as crianças fazerem os trabalhos dentro da escola e orientados por um professor". Isabel acredita que, desta forma, "o pouco tempo que eles têm para estar em casa poderá ser passado com o pai e a mãe a fazerem outras actividades". Para esta mãe, há uma explicação para o facto de os seus filhos conseguirem ter tempo para as actividades extra-curriculares: "Graças a muito custo meu. É preciso muita ginástica."
Joana, que frequenta o 10º ano no Liceu Camões, também acha que os trabalhos que os alunos levam para casa deviam ser feitos na escola, junto de professores que os pudessem acompanhar e ajudar: "É mais vantajoso fazermos os trabalhos na escola, porque assim fazíamos todos os trabalhos, mesmo os mais difíceis, porque tínhamos a orientação de um professor."
A maioria dos alunos que frequenta o ensino secundário, no Liceu Camões, mostrou-se satisfeita com a introdução das aulas de hora e meia, pois desta forma conseguem gerir melhor os seus tempos livres. "Com as aulas de 90 minutos, os nossos horários ficaram mais curtos. Por exemplo, eu tenho as tardes todas livres, o que me permite gerir o meu tempo e fazer mais coisas. Tenho tempo para sair e tempo para fazer os trabalhos de casa", diz Andreia, que anda no 12º ano.
Distrito
dos Eua Limitou Os Deveres Escolares
Domingo, 21 de
Novembro de 2004
Há quatro anos, o pequeno distrito escolar de Piscataway, em New Jersey, EUA, foi notícia de capa de jornais de todo o país por ter tomado a decisão de pôr um travão aos trabalhos que os miúdos podem levar para fazer em casa. A medida foi aplaudida por alunos, sindicatos de professores e pais, que afirmavam que os TPC consumiam a vida dos filhos e a sua.
Encarregados de educação de vários distritos de New Jersey, mas também de outros estados, telefonavam para Piscataway, um subúrbio de classe média, para saber como poderiam convencer as escolas dos seus filhos a tomar semelhante medida.
Nesse mesmo ano, Etta Kralovec e John Buell publicavam o livro "O Fim dos Trabalhos de Casa. Como os trabalhos de casa desestabilizam famílias, sobrecarregam crianças e limitam a aprendizagem". O debate estava relançado, com defensores e opositores dos TPC a trocarem argumentos.
No livro sustenta-se que não só os educadores não conseguiram provar que mais trabalhos de casa levam a melhores desempenhos, como a pressão a que estão sujeitas as famílias tradicionais americanas faz com que os TPC se tornem num fardo insuportável.
Foram argumentos semelhantes que levaram as autoridades de Piscataway a dizer às escolas que os alunos mais novos (do 1º ao 3º ano) só podiam dedicar um máximo de 30 minutos diários aos deveres de casa. O limite varia consoante o nível de escolaridade e, no caso do secundário, é alargado até duas horas. Os professores foram também aconselhados a não mandar trabalhos para o fim-de-semana, classificar ou usar como castigo.
"Trabalho infantil"
Já este ano, uma investigação do Instituto de Educação da Universidade de Londres, feita a partir de uma avaliação em vários países, concluía. "O trabalho de casa pode causar atritos entre pais e filhos, especialmente nas famílias de classe média, em que a preocupação com o futuro da criança tende a criar um ambiente de pressão". Os autores da investigação propõem, em alternativa, a criação de "clubes de trabalho de casa", organizados na escola, fora do período das aulas e com a presença de um professor disponível para ajudar.
A verdade é que nos anos 30 do século passado a questão já era polémica.
Nessa década, Nova Iorque e Chicago baniram ou limitaram os trabalhos de casa.
A Associação Norte-Americana para o Bem-Estar da Criança chegou a classificá-los
como "trabalho infantil", lembra a imprensa norte-americana. Isabel
Leiria ![]()
Outros Casos
(TCP)
Domingo, 21 de Novembro de 2004
Proibição na Bélgica
A decisão foi tomada em 2001, com a publicação de um decreto-lei sobre a duração dos TPC, os tipos de trabalhos possíveis e o seu peso na avaliação final. A intenção do ministro da Educação da Bélgica francófona era suprimir os trabalhos de casa, tal como já fora feito na Flandres. A oposição dos partidos da direita e associações de pais fê-lo retroceder. A nova legislação determinou que não deviam ser passados TPC aos meninos dos 1º e 2º anos. Quanto aos estudantes dos 3º e 4º, a lei estabeleceu um máximo de 20 minutos por dia. Já os dos 5º e 6º anos, entre os dez e os 13 anos, podiam despender meia hora com os deveres escolares. Para os anos seguintes, o decreto, citado na altura pelo jornal "El País", ditava que os TPC deviam ter uma "duração razoável", que permitisse aos estudantes gerir o seu tempo, de maneira a que se pudessem envolver em actividades desportivas e culturais, ou simplesmente, divertir-se. Seja em que nível de escolaridade for, os TPC não contariam para a avaliação do aluno, de maneira a evitar qualquer tipo de discriminação daqueles que não podem ser ajudados em casa. Só os professores devem ser responsáveis pela formação dos mais pequenos, defendia o então ministro da Educação.
Regulamentação na Europa
Finlândia, Dinamarca, Luxemburgo, França, Grécia e alguns estados federais alemães já legislaram sobre o mesmo assunto, fazendo recomendações para reduzir as tarefas ou proibindo os TPC. Em Portugal não existe qualquer legislação e cabe aos professores decidir o que querem que os alunos façam em casa. I.L.