Notícia in Publico.pt,

27 Fev 2004

O Universo não está a morrer, dizem cientistas

 

O Universo pode durar ainda mais 30 mil milhões de anos do que se pensava. Imagens captadas pelo telescópio espacial Hubble do colapso de estrelas muito distantes confirmam a existência da chamada energia negra, uma força que actua de forma oposta à da gravidade e que, apesar de permanecer um dos grandes mistérios da física, sabe-se que consome o Universo de forma galopante. Mas o processo será mais lento do que os cientistas acreditavam.

"Não temos a mínima pista do que se trata", confessou ao sítio na Internet Space.com Adam Riess, do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial, em Baltimore, nos EUA. Mas o estudo das imagens deu para apurar que o Universo acabará mais tarde do que se pensava, acrescentou.

A energia negra foi descoberta em 1998: uma equipa de astrofísicos confirmou que as galáxias que formam o Universo se estavam a afastar umas das outras, num movimento contrário ao da gravidade, que faz com que objectos de grande massa atraiam outros. Isto confirmava o que Edwin Hubble disse, em 1920: o Universo estava a expandir-se.

Esta condenação do Universo à dissolução parecia bastante provável, porque a misteriosa energia negra, que ninguém sabe ainda o que é, representava 70 por cento do Universo. O resto era a não menos misteriosa matéria negra, sendo que apenas uma pequena fracção roubada a estas duas grandes componentes ficava para os corpos celestes como as estrelas e os planetas. O maior movimento de expansão do Universo ocorreu na altura do Big Bang, que se julga que ocorreu há 13.700 milhões de anos.

As novas conclusões sobre a duração do Universo devem-se às imagens de 42 supernovas, ou explosões de estrelas, captadas pelo telescópio espacial Hubble. Os cientistas advertem a Administração norte-americana que se a decisão de desactivar o Hubble for em frente, a ciência é que ficará a perder.