Notícia in Lusa,

13 Jan 2005

Menos de três horas para desvendar atmosfera de Titã

 

A sonda europeia Huygens, que na sexta- feira mergulhará na atmosfera negra e gelada de Titã, terá menos de três horas para esclarecer os cientistas sobre os enigmas e a complexidade química daquela lua de Saturno.

Durante cerca de duas horas e 15 minutos, e além de recolher amostras para determinar a composição atmosférica, a sonda deverá medir ventos, pressão e precipitações, captar sons inéditos e tirar fotografias da superfície da maior lua de Saturno, considerada o corpo mais misterioso do sistema solar.

Quando a Huygens estiver a descer, Titã estará na mira dos mais poderosos telescópios ópticos da Terra, instalados em volta do oceano Pacífico, e do telescópio espacial Hubble.

Para os cientistas, que estarão reunidos no centro de controlo da Agência Espacial Europeia (ESA) em Darmstadt (Alemanha), a perspectiva mais excitante será poderem ver um minúsculo ponto brilhante quando a sonda entrar na atmosfera.

Esse ponto representará a "bola de fogo" criada pela fricção correspondente ao momento em que o escudo de calor da sonda atravessar as partes mais densas da atmosfera de Titã, entrando nela como um meteorito gigantesco.

Enquanto isso, uma série de rádiotelescópios localizados nos EUA, Austrália, China e Japão estão atentos para tentar ouvir um sinal fraco da Huygens. Se o conseguirem, e após várias semanas de análise de dados, ajudarão a determinar o local exacto do impacto da sonda na superfície de Titã.

Antes desse impacto, acender-se-á uma espécie de flash intenso que iluminará a superfície do planeta, mergulhada na escuridão, para dar aos espectrómetros uma melhor visão dos minerais que integram a superfície.

"Huygens foi concebida como sonda atmosférica. A sua missão nominal durará o tempo da descida para Titã. Se sobreviver à aterragem, todas as informações que der a mais serão bónus e motivos de celebração", afirmou Cláudio Sollazzo, chefe de operações da sonda.

Os primeiros sinais do mergulho da Huygens deverão ser captados depois das 14:15 (hora de Lisboa) de sexta-feira em Camberra (Austrália), de onde serão reenviados para Darmstadt.

Transmitida em directo no canal de televisão da ESA, a descida será acompanhada e comentada por especialistas portugueses em Lisboa, no Instituto Geográfico do Exército (das 14:00 até à meia-noite) e em Espinho, no Centro Multimeios (das 13:00 à meia-noite).