| Notícia Lusa,
13 Set 2008
Descoberta a galáxia mais
distante do Universo
Imagens
detalhadas obtidas pelos telescópios espaciais Hubble e
Spitzer da NASA revelaram a existência de uma das galáxias
mais distantes até agora observadas, formada há 13 mil
milhões de anos, afirmam astrónomos norte-americanos e
europeus.
A galáxia, designada A1689-zD1, foi captada pela Câmara no
Infravermelho Próximo e Espectrómetro para Objectos
Múltiplos (NICMOS) do telescópio Hubble e pela câmara
infravermelha do Spitzer, e ter-se-á formado 700 milhões
de anos depois do nascimento do Universo.
Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), as imagens
mostram a galáxia num momento de transformação na "idade
escura", quando se formaram os primeiros objectos
luminosos, pouco depois do "Big Bang", mas antes da
formação das primeiras estrelas.
As actuais teorias indicam que a "idade escura" começou
cerca de 400.000 anos depois do "Big Bang".
"Ficámos certamente surpreendidos ao descobrir essa
galáxia jovem e brilhante que remonta há 13 mil milhões de
anos. São até agora as imagens mais detalhadas de um
objecto tão distante no tempo", disse o astrónomo Garth
Illingworth, da Universidade da Califórnia e membro da
equipa de investigadores.
De acordo com os autores do estudo, as medições são
"altamente fidedignas". Na opinião de outro membro da
equipa, Piero Rosati, do Observatório Europeu do Sul (ESO),
"este objecto é até agora o mais forte candidato à galáxia
mais distante".
As imagens servirão para estudar a formação e a evolução
das galáxias, fornecendo informação sobre os tipos de
objectos que poderão ter contribuído para pôr fim à "idade
escura".
Durante o seu período operacional, o Hubble permitiu
recuar cada vez mais no tempo, dando a ver galáxias em
fases sucessivamente mais precoces de evolução, sendo que
as imagens agora obtidas da A1689-zD1 mostram um tempo em
que as galáxias estavam em formação.
Para o sucessor do Hubble, o telescópio Espacial James
Webb (JWST), a lançar em 2013, essa galáxia será uma das
primeiras a ser estudadas, constituindo "um alvo ideal",
segundo o astrónomo Holland Ford, da Universidade Johns
Hopkins.
"Esta galáxia é possivelmente uma das muitas que ajudaram
a concluir a idade escura", afirmou Larry Bradley, também
um astrónomo da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore,
e responsável pelo estudo.
"Os astrónomos estão bastante convencidos de que certos
objectos de alta energia, como os quasars, não dispunham
de energia suficiente para acabar com a idade escura do
Universo", acrescentou. "Mas muitas jovens galáxias
formadoras de estrelas poderão ter produzido energia
suficiente para o conseguir".
A galáxia em causa poderá ser também um alvo ideal para o
conjunto de telescópios ALMA, a instalar até 2012 no
deserto de Atacama, no Chile, que será o radiotelescópio
mais potente do mundo.
"Alma e JWST, trabalhando em conjunto, serão a combinação
ideal para compreender realmente esta galáxia", concluiu
Illingworth.
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