

| Notícia in Lusa,
02 Fev 2004 Cientistas criam dois novos elementos "superpesados"
Cientistas russos e norte-americanos criaram dois novos elementos "superpesados" que deverão passar a figurar no final da tabela de classificação periódica dos elementos químicos. Destes recém descobertos elementos, o 113 e o 115, só alguns átomos existiram durante uma fracção de segundo depois de terem sido criados num acelerador de partículas. Representam formas invulgares de matéria com propriedades que vão muito além das dos 92 elementos que ocorrem naturalmente na Terra. Os resultados foram obtidos no Instituto de Investigação Nuclear de Dubna, Rússia, e no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na California, segundo o último número da revista Physical Review C, uma publicação da Physical Society especializada em estrutura nuclear. Os elementos superpesados podem ter sido gerados em abundância por explosões de supernovas em estrelas, ou porventura fundidos durante os momentos incandescentes que assinalaram o despontar do universo. Na Terra, estas pequenas quantidades de superpesados formados em esmagadores de átomos nunca terão provavelmente utilidade no dia a dia. No entanto, o seu "nascimento" acrescenta pormenores a uma busca científica mais ampla (e muito competitiva) tendente a criar uma teoria única e unificada das forças físicas que governam o comportamento de toda a matéria. Estas novas descobertas só serão aceites e incluídas nos livros escolares depois de outros laboratórios criarem os elementos, um processo que levará meses ou até anos. É que a confiança em experiências sobre estrutura nuclear ficou abalada em 1999 com a suposta descoberta de dois elementos que acabou por se revelar falsa. Porém, outros investigadores conhecedores do novo trabalho dizem estar confiantes nos resultados. O editor da revista, Richard Casten, manifestou confiança nos resultados obtidos e nos cientistas que os obtiveram, nomeadamente no físico russo Yuri Oganessian, principal autor do trabalho, por ter sido capaz de interpretar os resultados das colisões de partículas no ciclotrão russo, ou reactor circular, onde foram criados os elementos. Nas experiências, os investigadores dispararam um isótopo raro do cálcio sobre um alvo de amerício, tendo o novo elemento 115 surgido ocasionalmente quando os núcleos do cálcio e do amerício se fundiam. No meio artificial circundante do ciclotrão os átomos do elemento 115, agora chamado Ununpentium, duraram aparentemente apenas uma fracção de segundo antes de decaírem e se converterem no elemento 113. Os átomos deste último, conhecido por Ununtrium, persistiram durante mais de um segundo. Os nomes 115 e 113 correspondem aos números atómicos dos novos elementos, que se referem por vez ao número de protões dos seus núcleos. |