

| Notícia in Lusa,
05 Jul 2005 Cometa atingido pelo "Impactor" começa a revelar segredos
Doze horas após o embate do projéctil no cometa Tempel 1, a agência espacial norte-americana disse que a colisão provocou dois clarões sucessivos na superfície do astro. Tal indicaria, de acordo com a NASA, que o engenho atingiu matérias diferentes, uma à superfície e outra em profundidade. A agência divulgou na noite passada novas sequências de fotos desta missão científica inédita, tiradas com poucos milissegundos de intervalo, em que se distinguem claramente os dois clarões provocados pelo choque do "Impactor" a 37.000 quilómetros por hora e a difusão de matéria do cometa no espaço. A composição dessa matéria é ainda motivo de interrogações, apesar de o director adjunto da parte científica da missão, Pete Shultz, ter adiantado que se poderá tratar de poeira da superfície e de vapor produzido pelo gelo contido no subsolo do cometa. "O que vimos é realmente surpreendente. Primeiro houve um pequeno flash, depois, alguns instantes mais tarde, um grande flash e uma explosão. Podemos ter detectado uma resposta estrutural do cometa ao impacto, embora só tenhamos informações preliminares", disse Shultz numa conferência de imprensa da NASA em Pasadena, na Califórnia. Uma das fotos mostra "uma bola extremamente incandescente que é luminosa por si própria", sem ter em conta o reflexo da luz do Sol, explicou Shultz. "É muito parecido com experiências que fizemos" em computador, acrescentou. Quanto à sonda "Deep Impact", que captou as imagens da colisão a 500 quilómetros de distância, ela está em perfeito estado de funcionamento e "cheia de dados que estamos agora a receber" nos computadores, referiu o chefe do projecto, Rick Grammier. Confirmando o êxito da operação, Grammier regozijou-se com a atenção que despertou: o site da missão na Internet durante os momentos críticos teve "mil milhões de páginas vistas", batendo todos os recordes de outras missões da agência. Presumivelmente constituídos por gelo, poeiras e metais, os cometas interessam em particular aos astrofísicos por conterem materiais resultantes da formação do Sol e dos planetas há 4,5 mil milhões de anos. Até agora, as missões de estudo dos cometas consistiam apenas em fotografá-los de perto e em recolher partículas deixadas no seu rasto. O êxito agora alcançado está a contribuir para elevar o moral da NASA, posto à prova nos últimos dois anos meio pela catástrofe do Columbia, nas vésperas da reactivação dos voos dos vaivéns espaciais, a 13 de Julho, com o lançamento do Discovery. O resultado do impacto [FLASH] foi equivalente à explosão de 4,5 toneladas de TNT. |