

Notícia in Lusa, 19 Fev 2004 Satélites observam buraco negro a despedaçar uma estrela
Dois satélites observaram pela primeira vez um gigantesco buraco negro a despedaçar e engolir parte de uma estrela, anunciou quarta feira a NASA.
"É realmente fantástico. Isto é um «Santo Graal» da astronomia", afirmou o astrónomo Alex Filippenko, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Segundo os astrónomos, a estrela aproximou-se demasiado do gigantesco buraco negro depois de ter sido afastada da sua rota por outra estrela. Quando se aproximava do intenso campo de gravidade do buraco negro, foi repelida e despedaçada por forças contrárias semelhantes às que na Lua provocam as marés na Terra. "A descoberta fornece informações cruciais sobre a maneira como esses buracos negros crescem e afectam as estrelas e os gases próximos", afirmou a NASA. As estrelas podem sobreviver quando são estiradas um pouco (...), mas esta foi estirada para além do ponto de ruptura", declarou Stefanie Komossa, do Instituto Max Planck para a Física Extraterrestre, da Alemanha, que chefia a equipa internacional de investigadores. "Só que essa estrela teve o azar de estar no local errado", acrescentou. Os cientistas estimam que o buraco negro, localizado na galáxia RXJ1242-11, a cerca de 700 milhões de anos luz da Terra, tem uma massa 100 milhões de vezes superior à do Sol e que a estrela destruída tinha uma massa provavelmente igual à do Sol. "É como se fosse um combate do tipo David contra Golias, só que neste caso foi Golias, ou a gravidade, que ganhou", comentou Gunther Hasinger, do mesmo instituto. "O último grito de ajuda antes da matéria cair no buraco negro foi irradiado em rais-X que nós detectámos", afirmou. O fulgor resultante foi milhares de vezes mais brilhante do que todos os outros milhares de milhões de estrelas da galáxia. Segundo os astrónomos, o buraco negro destruiu e absorveu entre 1 e 25 por cento da estrela, projectando para o exterior a parte restante. Um buraco negro é um objecto celeste maciço mas oculto dotado de uma força gravitacional tão intensa que nada, nem mesmo a luz, lhe pode resistir. Considera-se que acontecimentos deste tipo só ocorrem de dez em dez mil anos numa galáxia típica, dependendo da quantidade de estrelas que a integram. Podem também ocorrer no centro da nossa galáxia, a Via Láctea - disse Filippenko. Todavia, nenhuma das estrelas que os astrónomos nela agora observam corre perigo imediato de ser engolida, explicou. Para saber mais
(em Inglês): |