

Notícia France Press, 11 Mar 2003 Segredos do "big bang" procurados no fundo do Mar Mediterrâneo
O futuro observatório, ficará instalado dez a milhas náuticas a sul da ilha de Porquerolles, será activado em meados de Março pelo submarino "Náutilus" do Instituto Francês de Investigações Oceanográficas. Os neutrinos, são partículas infinitamente pequenas e "bombardeiam" o solo sem praticamente deixar vestígios. "Algumas destas partículas vêm dos confins do universo, de núcleos de estrelas, pulsares ou restos de supernovas", explicou John Carr, director de pesquisas do Centro de Física das Partículas de Marselha, França. Outras poderiam vir de buracos negros, que representam cerca de 90 por cento do nosso universo e que continuam a ser um enigma para os astrónomos. A existência de neutrinos foi formulada em 1931 pelo austríaco Wolfgang Pauli, que obteve o Prémio Nobel de Física em 1945, e foi demonstrada 25 anos mais tarde pelo norte-americano Frederick Reines, Prémio Nobel de Física em 1995. O norte-americano Raymond David e o japonês Masatoshi Koshiba foram também distinguidos com o Prémio Nobel de Física, em 2002, pelos seus trabalhos sobre a detecção de neutrinos cósmicos. Os cientistas trabalham desde os anos 1970 para conseguir decifrar essas estranhas partículas, que podem trazer revelações sobre as estrelas, os buracos negros e o "big bang", a tal explosão que teria ocorrido e dado origem ao início do universo há 15 mil milhões de anos. Mas a observação dos neutrinos é uma tarefa complexa, já que estes raramente interagem com a matéria. Quando excepcionalmente um deles colide com um átomo, transforma-se noutra partícula, o muão, portador de uma carga eléctrica que, debaixo de água, produz um raio luminoso, chamado "efeito Cherenkov", possível de ser medido graças a fotomultiplicadores. Depois das primeiras experiências realizadas no fundo de minas, para eliminar os raios cósmicos "parasitas", a partir de 1993, cientistas russos instalaram instrumentos de captação, em meio natural, no fundo do Lago Baikal, e cientistas norte-americanos adoptaram igual modelo sob o gelo da Antártida. Os europeus entraram na pesquisa em 1996 com o Projecto Antares, que é dirigido pelo Centro de Física das Partículas de Marselha e a Comissão Francesa de Energia Atómica. Para além da França, outros seis países - Itália, Holanda, Alemanha, Espanha, Grã-Bretanha e Rússia - participam nos estudos. O telescópio europeu no Mediterrâneo
será "dez vezes mais preciso" que os instrumentos existentes até
agora, afirmou John Carr. |