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Publico.PT,
27 Set 2007
NASA vai pôr sonda Dawn no
encalço de dois asteróides
Hoje,
a sonda Dawn deverá iniciar uma longa jornada espacial,
para se pôr no encalço de Ceres e Vesta, dois dos maiores
asteróides que circulam entre Marte e Júpiter. Chegará a
Vesta em 2011, a Ceres em 2015.
A ideia da NASA é ir à procura destes calhaus que sobraram da
formação de planetas rochosos, como a Terra, Marte e Mercúrio,
para compreender melhor a formação do sistema solar. "A Terra está
sempre a mudar, o que esconde a sua história. Acreditamos que
Ceres e Vesta, formados há mais de 4600 milhões de anos,
preservaram a sua história inicial", disse, na BBC Online,
Christopher Russell, o cientista chefe da missão.
Estes asteróides têm histórias evolutivas distintas. Ceres,
descoberto na cintura entre Marte e Júpiter em 1801, tem mais de
900 quilómetros de diâmetro. Por ser tão grande, recebeu o mesmo
estatuto que Plutão: planeta anão. Por baixo da sua crosta,
pensa-se que existe uma camada de gelo. Já o interior de Vesta
(descoberto em 1807, mais de 500 quilómetros) chegou a ser quente
e sofreu processos de vulcanismo, enquanto Ceres se mantém mais
perto do estado primitivo.
Um dos motivos de interesse de Vesta é uma enorme cratera no pólo
sul, detectada pelo telescópio espacial Hubble em 1996. Alguma
coisa colidiu com o asteróide, arrancou um valente bocado e deixou
uma cicatriz.
Alguns bocados, quem sabe se arrancados naquela colisão, caíram na
Terra. Conhecem-se cerca de 25 amostras do Vesta, uma delas é a do
meteorito que caiu em 1925 na aldeia de Vilarelho da Raia, a oito
quilómetros de Chaves. Foi o geólogo Fernando Monteiro, falecido
em 2005, aos 43 anos, quem identificou de forma correcta, nos anos
80, o meteorito de Chaves, como é conhecido. Percebeu que provinha
de Vesta.
Agora, a Dawn passará a pente fino a estrutura e a composição de
Vesta e Ceres. Espera-se também que envie destes mundos imagens de
alta resolução. Terão montanhas, desfiladeiros, rios de lava
antigos? Até o sabermos, resta a imaginação. |