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Foi-se,
finalmente, o Verão, não sem antes
fazer algumas grosserias e
malcriações: trovejou, relampejou ,
choveu, inundou. Parece impossível mas
é verdade!
O
Sol disse-lhe que a hora do seu adeus
tinha chegado:
foi-se inclinando no céu, as suas
viagens cada vez mais curtas, as noites
mais longas, o crepúsculo a chegar mais
cedo e as manhãs molhadas com orvalho.
O vento, antes, refrescava; agora causa
arrepios e chama os agasalhos das
gavetas onde dormiam.
No
Verão o excesso de luz solar faz-nos proteger a
pele; no Outono a luz fica mais mansa e as cores
desabrocham como flores. O Verão convida-nos para
a praia e para as cidades, onde nos sentimos em
férias; o Outono é tranquilo, convida ao
recolhimento. E só quando os seus raios pincelam
a paisagem de matizes envelhecidas, mas
encantadoras, é que nos fazemos serra acima,
saboreando a brisa suave que dança por entre as
folhas dos castanheiros e dos carvalhos.
Gosto
especialmente das suas tardes: o Outono vive mais
o Sol que se põe. E como são belos os dois,
Outono e tardes!
Contudo,
no Outono há uma pitada de tristeza
misturada no ar: o crepúsculo e as
folhas que se despedem num último adeus
fazem-nos retornar à nossa verdade.
Dizem o que somos: somos seres
crepusculares, outonais.
Quem
quer que pare para ouvir as vozes do
Outono e da tarde perceberá que, dentro
da sua beleza, nos falam a nossa vida e
a nossa morte.
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Adaptação
de Vaz Nunes/2002 |
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