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Alguns conselhos, em forma de manual de sobrevivência   EM FRANCÊS

Mochilas, livros, cadernos, tudo novo em folha para o primeiro dia de aulas. Mas no meio do entusiasmo sobressai uma angústia indefinida, quer da parte dos pais, quer dos filhos.

 

Para milhares de meninos e meninas pelo país fora, o início de Setembro é a altura em que o coração palpita mais depressa, como que ficando preso na garganta. As aulas estão prestes a começar, trazendo consigo um número considerável de assustadoras mudanças para as crianças que abandonam o ensino pré-escolar.

 

"Algumas crianças têm tendência para evidenciar comportamentos ansiosos, choro frequente, pesadelos e agitação nocturna, evitamento, medos, ansiedade de separação face aos pais", explica Ana Sofia Melo, psicóloga escolar e da educação.
    
Não há como proteger o seu filho das dificuldades da vida. O medo que as crianças sentem da mudança faz parte de uma etapa que as ajudará a serem mais autónomas, mais responsáveis, e a relacionarem-se consigo e com o Mundo. Há, isso sim, formas de prevenir estes comportamentos.

      Se antes de entrar no 1.º ciclo as crianças já passaram pelo infantário, a integração será bastante mais facilitada, uma vez que já tiveram contacto com normas de funcionamento de um espaço, horários e relacionamento em grupo. Se, por outro lado, esta é a primeira vez em que o seu filho sai da casca protectora da família, a experiência pode ser um bocadinho mais dolorosa.

     Em qualquer dos casos, nesta altura, será sempre essencial que os pais comecem a estimular os seus filhos com tarefas e jogos adaptados a esta etapa, que elogiem e reforcem as suas aquisições, de modo a fortalecer a auto-estima, que falem positivamente da escola como o local onde vão aprender mais sobre a vida e fazer novos amigos.

     Da mesma forma, quando passam para a "escola grande", no 2.º ciclo, os meninos têm tendência para sentir algum receio, porque há mais professores, o espaço é enorme, as disciplinas aumentam, tornando o desaconchego ainda maior do que na passagem do infantário para o 1.º ciclo.

       O ideal será que os pais levem os filhos a conhecer a escola alguns dias antes do início das aulas e que se comprometam, desde logo, com o espaço, participando nas reuniões, acompanhando o mais possível o percurso escolar.


      Para Ana Sofia Melo, a melhor forma de estabelecer a confiança entre pais e filhos, é criando um ambiente familiar "onde as crianças assumam um papel activo e interventivo na interajuda, partilha de tarefas e funções, onde exista uma comunicação efectiva e aberta e espaço para o diálogo, onde se proporcione a protecção mas se faculte a autonomia e a responsabilidade".

Educare (Porto Editora) Set 2002